Paralelo de Jacó com a história de Gilgamesh e Humbaba.

A maioria dos estudiosos sustenta que o velho testamento é uma adaptação de histórias antigas, como mitos sumérios. As semelhanças entre os textos podiam ser facilmente percebidas. Segundo Esther J. Hamori, existem elementos fundamentais que colaboram para uma adaptação das histórias mesopotâmicas com o Gênesis.

A história de Jacó é marcante para todo aquele que lê o capítulo 33 de Gênesis. O relacionamento de Jacó com seu irmão não é dos melhores e Jacó teme por uma vingança de seu irmão Esaú. Na história, Jacó trava uma batalha com um anjo de Deus e, no final da batalha, Deus muda seu nome para Israel, aquele que luta contra Deus.

❝ Embora as histórias de Jacó e Gilgamesh sejam muito diferentes, cada uma inclui uma cena crítica apresentando um tipo de combate desarmado notavelmente distinto de representações de lutas encontradas em outras literaturas do antigo oriente Próximo. Muitos elementos significativos das cenas de luta livre são compartilhados pelas duas histórias, incluindo a maneira, o propósito e o resultado da luta. O texto com o material relevante já é encontrado na versão da Antiga Babilônia do Épico de Gilgamesh ❞

Um personagem da mitologia mesopotâmica chamado Enkidu, chama muita atenção por os elementos de sua história ser muito parecido com as narrativas bíblicas.Enkidu vive tranquilamente pelas planícies selvagens, onde vive em harmonia com os animais como um ser primitivo. Ele é criado pelos Deuses que moldam sua forma a partir do barro.Enkidu é dotado de uma força incomum entre os demais.A luta de Jacó é intensa e dura a noite toda, quanto Jacó e Enkidu ambos mostram determinação e perseverança, no entanto, o anjo percebe que não poderia vencer Jacó, e para encerrar a luta, toca na coxa de jacó, o ferindo. Mesmo assim, Jacó se recusa a soltar até que receba sua benção.

Na mitologia mesopotâmica, humbaba também conhecido como Huwawa, era um monstro e guardião das florestas sagradas, especialmente da floresta de cedro.Humbaba era retratado como uma criatura temível e poderosa. Além de tudo isso, Humbaba era descrito tendo habilidades mágicas e tinha uma voz terrível que acoava pela floresta.

Enkidu e Gilgamesh derrotam e levam a cabeça de Huwawa para Enlil, o rei dos deuses, esperando uma recompensa, mas são condenados pelo assassinato. Enlil toma as auras / terrores de Huwawa de Gilgamesh e as atribui a leões e a diversos lugares, como rios, florestas, caniços e até mesmo um palácio, onde os perigos estão à espera da peste humana. O poema termina com agradecimentos a Gilgamesh e Enkidu por matarem o monstro e permitirem que as pessoas cortassem as árvores da floresta, além da deusa da escrita, Nisaba.Claro que o autor israelita não tirou toda essa história da sua própia imaginação, mas sim ele reinterpretou elementos da mitologia mesopotâmica para a sua tradição religiosa e cultural. As semelhanças sugerem que o escritor se inspirou em histórias antigas para criar sua propia história.

Tradução:

117–119: “Se formos atrás dele, haverá terror! Haverá terror. Volte! É aconselhável? É aconselhável? Voltem!”

120: “O que quer que você possa pensar, vamos lá, vamos atrás dele!”

121–125: Antes que um homem possa se aproximar dentro de até sessenta vezes seis metros, Huwaea já chegou à sua casa entre os cedros. Quando ele olha para alguém, é o olhar da morte. Quando ele balança a cabeça para alguém, é um gesto cheio de reprovação. Quando fala com alguém, certamente não prolonga suas palavras: “Você ainda pode ser um jovem, mas nunca mais voltará à cidade de sua mãe que o gerou!”

126–129: O medo e o terror se espalharam pelos seios e pés de Gilgamesh. Não conseguia mover (?) os pés no chão; as unhas grandes dos pés dele grudaram… para o caminho (?). Ao seu lado…

130–135: Huwawa dirigiu-se a Gilgamesh: “Então venha agora, você heroico portador de um cetro de amplo poder! Nobre glória dos deuses, touro furioso pronto para uma luta! Sua mãe sabia bem como ter filhos, e sua enfermeira sabia bem como nutrir crianças no peito! Não tenha medo, apoie a mão no chão!”

163–174: Enkidu respondeu a Gilgamesh: “Vamos lá, seu heroico portador de um cetro de amplo poder! Nobre glória dos deuses, touro furioso pronto para uma luta! Jovem senhor Gilgamesh, querido em Uruk, sua mãe sabia bem como ter filhos, e sua enfermeira sabia bem como nutrir crianças! — Alguém tão exaltado e, ao mesmo tempo, tão desprovido de compreensão será devorado pelo destino sem que jamais compreenda esse destino. A própria ideia de que um pássaro capturado deve fugir para casa, ou um homem capturado deve voltar para o abraço de sua mãe! — Então você mesmo nunca mais voltaria para a cidade-mãe que o entediava! Um guerreiro capturado libertado! Uma sacerdotisa capturada… ao girar! Um padre gudu capturado restaurou sua peruca de cabelo! … jamais, jamais…?” … sua atenção às suas palavras…

178–180: Enquanto Huwawa falava assim com ele, Enkidu, cheio de raiva, cortou sua garganta. Ele colocou… Ele riu… Colocaram a cabeça dele em uma bolsa de couro.

181-186: Eles entraram antes de Enlil. Após terem beijado o chão diante de Enlil, eles jogaram a bolsa de couro para baixo, inclinaram sua cabeça e a colocaram diante de Enlil. Quando Enlil viu a cabeça de Huwawa, falou com raiva para Gilgamesh. Eles o trouxeram antes de Enlil e Ninlil. Quando Enlil se aproximou (?), … saiu pela janela (?), e Ninlil saiu… Quando Enlil com Ninlil tinha voltado… (?)

Em resumo, a Bíblia Hebraica geralmente tem um intermediário, como um profeta, por exemplo, ou um adivinho. Ninsunna mãe de Gilgamesh, tem visões divinas, não só porque é uma deusa. Também se envolve em atividades divinatórias em nome de seus filhos. Antes de Gilgamesh encontrar Enkidu, ele experimenta sonhos estranhos e os relata à sua mãe. Ela realiza os sonhos do filho, que é frequentemente apresentado como a mãe de Gilgamesh.

Bibliografia:

  1. Gilgamesh e Huwawa.
  2. Ecos de Gilgamesh na história de Jacó.

Gilgamesh o herói mesopotâmico.

O registro de um Gênesis tem sua origem em tabuinhas sumérias, como o épico de Kharsag, que é o mais antigo, escrito em tabuinhas de argila de formato cuneiforme. De acordo com outro registro, “Gênesis de Eridu”, a história da criação e do dilúvio contém elementos espirituais na minha visão, o que causou alterações desde o primeiro registro. O Gênesis de Eridu é um mito criado após a Epopeia de Atrahasis e a Epopeia de Gilgamesh, que ocorreram em 2150 AC e 1400 AC. Essa narrativa é semelhante em muito às histórias de Noé descritas no livro do Gênesis da Bíblia. Infelizmente, algumas tabuinhas estão danificadas em alguns pontos, mas, felizmente, é possível compreender essa história com clareza. A história foi descoberta em meados dos anos 1983 em expedições na Mesopotâmia.

A história tem início com a criação do mundo e, posteriormente, dos animais. As divindades consideradas mais poderosas no passado era Anu, Enki e Enlil. A cidade de Eridu foi criada pelos deuses e é uma das mais antigas. As cidades eram governadas por seus Deuses locais de cada cidade. No Épico de Atrahasis, a população está crescendo e o barulho está incomodando o deus Enlil, que manda pragas e secas e mais tarde um dilúvio. Os deuses decidem não interferir nessa decisão. A continuação desta história culmina com um dilúvio, que durou sete dias e sete noites, até que UTU, o deus Sol, interveio.

❝ Esta narrativa apresenta similaridades notáveis com as histórias de Noé relatadas no Livro do Gênesis da Bíblia. Ao terminar a história, Anu e Enlil se arrependem da escolha e ficam felizes por Ziusudra ter preservado suas criações ❞

A história tem mais 39 páginas, mas o conteúdo foi perdido. Após o dilúvio, na Epopeia de Atrahasis, os deuses adotam medidas drásticas para limitar o tempo de vida e aumentar a taxa de mortalidade. Este detalhe pode ter sido uma lacuna existente na história suméria anterior ao dilúvio. Os estudos mais recentes sugerem que a narrativa do dilúvio e da destruição da humanidade teve um impacto significativo em um grupo antigo e se tornou amplamente repetida ao se deslocar de uma região para outra. Cada cultura adaptou essa história às suas próprias necessidades, que era contada e escrita em diferentes lugares e visões, o que acabou por deixar de ser original.

Em praticamente todas as narrativas de um dilúvio, os deuses parecem se arrepender de suas escolhas. Na narrativa de gênesis, Deus promete que nunca mais ocorreria um dilúvio na Terra. Na versão moderna do hebraico, Deus comunica a Noé de um dilúvio e ordena que ele construa uma arca. Essas histórias antigas influenciaram os textos bíblicos modernos, com ideias semelhantes, mas com elementos diferentes. A ideia de um dilúvio dos deuses explica o propósito do mundo pelas civilizações antigas, tendo sido usada para diversos propósitos.

Bibliografia:

  1. The Genius of The Few Christian O’Brien.
  2. Gilgamesh – World History Encyclopedia.